Chuva de Jasmim
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Pequena descrição
Rasgam as entranhas do meu corpo palestiniano frases e palavras em português, um idioma que ainda vo... Ler mais
Especificações
| Livro | |
| Ano da Edição | 2025 |
| Autor | Shahd Wadi |
Rasgam as entranhas do meu corpo palestiniano frases e palavras em português, um idioma que ainda vou aprendendo.
Resisto com toda a força, só algumas conseguem escapar.
Aperto os lábios diante da impossibilidade de falar do meu corpo que não é, do seu lugar que é nunca.
Não digo a nenhuma alma que não distingo o «cá» do «lá».
Nem que as línguas e os desejos acontecem em mim em simultâneo.
Não consigo, não consigo, não consigo soletrar o nome árabe de quem morreu ontem em Gaza, nem no dia seguinte.
Fecho a boca perante o caminho da história da minha família que foi expulsa da sua terra após a catástrofe palestiniana Nakba, em 1948.
Coloco a mão à frente da minha voz para evitar um erro de português, enquanto conto uma piada ou até um sonho de liberdade, mesmo se toda a liberdade.
Não declamo nada.
Aguento um golpe atrás de outro de um verso que me quis abandonar.
Mantenho o silêncio.
«Este será o primeiro livro palestiniano da poesia portuguesa.
Ou vice-versa? Shahd Wadi fez de Portugal a sua morada — até que ir para casa seja possível.
Enquanto a Palestina estiver ocupada, o mundo é a Palestina.»
ALEXANDRA LUCAS COELHO
Resisto com toda a força, só algumas conseguem escapar.
Aperto os lábios diante da impossibilidade de falar do meu corpo que não é, do seu lugar que é nunca.
Não digo a nenhuma alma que não distingo o «cá» do «lá».
Nem que as línguas e os desejos acontecem em mim em simultâneo.
Não consigo, não consigo, não consigo soletrar o nome árabe de quem morreu ontem em Gaza, nem no dia seguinte.
Fecho a boca perante o caminho da história da minha família que foi expulsa da sua terra após a catástrofe palestiniana Nakba, em 1948.
Coloco a mão à frente da minha voz para evitar um erro de português, enquanto conto uma piada ou até um sonho de liberdade, mesmo se toda a liberdade.
Não declamo nada.
Aguento um golpe atrás de outro de um verso que me quis abandonar.
Mantenho o silêncio.
«Este será o primeiro livro palestiniano da poesia portuguesa.
Ou vice-versa? Shahd Wadi fez de Portugal a sua morada — até que ir para casa seja possível.
Enquanto a Palestina estiver ocupada, o mundo é a Palestina.»
ALEXANDRA LUCAS COELHO